Editorial do Grupo Empresarial Plinio Ritter: Jornalismo – A serviço de quem?
por Richard Ritter – @richardritteroficial

Alguns textos procuram a verdade. Outros apenas um destinatário satisfeito.
Há uma diferença que deveria ser ensinada antes mesmo do primeiro “bom dia” na faculdade de Jornalismo. Reportagem exige documentos, fontes, contraditório e trabalho. Panfleto barato, sem periodicidade, travestido de coluna, em período eleitoral, exige apenas o teclado de um celular, adjetivos inflamados e um patrocinador satisfeito — e, não raro, também desesperado.
O bom jornalismo incomoda porque revela fatos. O mau jornalismo, para não dizer mau-caratismo, faz barulho justamente para esconder a falta deles.
Felizmente, a imprensa catarinense ainda é formada, em sua imensa maioria, por profissionais que honram o ofício. Num mero exercício de proporção, diria que, de cada 100 jornalistas, 98 preferem a apuração ao balcão de negócios. Os outros parecem ter optado por um caminho mais lucrativo: vender narrativas em vez de investigar fatos. Uns informam. Os outros apenas fazem barulho.
Mas toda profissão tem seus aventureiros, mercenários.
O método é conhecido: primeiro escolhe-se o alvo (do pagador); depois escreve-se a sentença (a favor do pagador); por último, se sobrar tempo, procura-se algum fato que combine com a conclusão, claro, a serviço do pagador. Onde faltam provas, sobra indignação coreografada. A plateia: o pagador.
Não é jornalismo. É prestação de serviço. Apenas não ao leitor.
O Código de Ética dos Jornalistas Brasileiros continua dizendo o óbvio: informação deve ser precisa, verificada e ouvir todas as partes. Parece elementar. Para alguns, ética virou um detalhe inconveniente.
Existe uma indústria especializada em fabricar escândalos sob encomenda. Não vende informação; vende conveniência. O cliente chega com a conclusão pronta e sai com uma narrativa sob medida. Parece reportagem, mas tem a independência de um panfleto publicitário de quinta categoria.
É o velho mercado da opinião terceirizada: muito adjetivo, pouca evidência; muito escândalo, pouca documentação; muita fumaça para esconder a ausência de fogo.
Acusações graves exigem provas robustas. Sem elas, resta ficção, torcida organizada ou propaganda disfarçada de coluna política.
Criticar pessoas e instituições é dever do jornalismo. Acusação sem lastro, não.
No fim, a conta sempre chega. Talvez não para quem escreveu. Talvez nem para quem aplaudiu. Mas certamente para a credibilidade da imprensa. O jornalismo existe para substituir a lógica da intimidação pela força dos fatos. Quando prefere a chantagem moral ao contraditório, abandona a notícia e abraça uma velha máxima: quem não serve à narrativa vira o alvo dela.
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