Entrevista | Marlene Fengler
por Richard Ritter – @richardritteroficial

“Eu decidi concorrer novamente porque quero dar continuidade a um trabalho que comecei e penso que com minha experiência, posso contribuir mais ainda. Conheço os municípios de Santa Catarina, sei como uma necessidade se transforma em recurso, projeto ou lei, e sei que isso exige ouvir, reunir pessoas e insistir até encontrar um caminho, uma solução.’’
Marlene Fengler, candidata a Deputada Estadual por Santa Catarina na Eleição de 2026, concedeu entrevista exclusiva ao jornalista Richard Ritter, confira.
Richard Ritter: Quem é Marlene Fengler? Conte um pouquinho da sua história e trajetória.
Marlene Fengler: Eu nasci na Linha Ipê-Popi, interior de Itapiranga, e sou a mais velha de quatro irmãos. Meus pais, Blasius e Lucena, eram pequenos agricultores e eu cresci vendo o esforço da minha família para tirar o sustento da terra. Eu acredito que essa força, de alguma forma, molda a pessoa que a gente se torna. Aos 17 anos, eu deixei a casa dos meus pais para continuar estudando e me mudei para Florianópolis. Trabalhei como bancária, cheguei a fazer docinhos para vender e complementar a renda, até conseguir me formar em Letras na UFSC. Foram anos de muito trabalho, mas também de descobertas.
Depois vieram os anos como assessora na Câmara dos Deputados e no Senado Federal, um curso de políticas públicas em Madri, a Chefia de Gabinete da Presidência da Assembleia Legislativa e, mais tarde, a presidência da Escola do Legislativo. Eu tenho muito orgulho em dizer que fui a primeira mulher a ocupar esses dois cargos. E eu não falo isso por vaidade, mas porque eu entendi com muita clareza o quanto a presença das mulheres na política ainda precisa de muito incentivo. A gente preciso estar nesses espaços para abrir caminho para outras mulheres, para quem vem depois.
Richard Ritter: Como deputada estadual, entre 2019 e 2022, quais resultados do seu trabalho você mais valoriza?
Marlene Fengler: Uma das iniciativas das quais mais me orgulho foi ter criado e ter sido a primeira coordenadora da Bancada do Oeste, reunindo deputados de diferentes partidos para unir forças em torno das demandas da região. Foi esse grupo que articulou milhões de recursos para melhorias de rodovias, para o programa de combate à estiagem e para a construção do Laboratório do Leite em Pinhalzinho, ações que mudam o dia a dia de quem vive da terra. Esse formato de colegiado virou modelo para as bancadas regionais que a Assembleia Legislativa tem atualmente, para cada macrorregião do estado.
Eu também propus leis que mexem com a vida real das pessoas: uma que ajuda mulheres vítimas de violência a encontrar trabalho, outra que reuniu num só lugar toda a legislação catarinense de enfrentamento à violência contra as mulheres, e uma que garante intérprete de Libras a mulheres surdas no momento do parto, que parece algo simples, mas que faz toda a diferença para quem vive isso.
Tenho carinho também por uma lei que consegui aprovar e que permite a visita de animais de estimação a pacientes internados, respeitando as regras do hospital. Quem está doente sabe o bem que esse encontro pode fazer. E, pensando nas crianças e nos adolescentes, propus a lei que criou a semana de orientação e prevenção à dependência tecnológica. É uma preocupação que muitas famílias já viviam em casa e precisavam discutir. Também ajudei também a criar o Observatório da Violência contra a Mulher e a Procuradoria Especial da Mulher na Alesc.
Na Escola do Legislativo, trabalhei para levar a formação para mais perto das pessoas, regionalizando as atividades pelo interior do Estado e ampliei o ensino a distância. Foi também nesse período que levei a Caravana da Inclusão da Mulher na Política até Genebra, apresentando na ONU uma experiência que nasceu aqui, percorrendo Santa Catarina, para estimular a participação das mulheres na política.
Richard Ritter: Quais causas você carrega com mais convicção, e por quê?
Marlene Fengler: A inclusão das pessoas com deficiência está entre as causas mais próximas do meu coração. Tenho ouvido muito as mães atípicas, e foram elas que me ensinaram o que hoje é uma causa que levo para a vida. Defendo também as mulheres, as crianças e os adolescentes, e quero olhar com mais atenção para a geração 60+, com centros-dia que ofereçam cuidado e convívio durante o dia, e valorizando quem quer continuar ativo no trabalho, em vez de deixar essa experiência de lado.
E há causas que vêm das minhas raízes. Sou filha de pequenos agricultores e sei o que é preciso para quem produz continuar no campo: estrada boa, água, energia e internet chegando até lá. Acredito no cooperativismo, na força de as pessoas se unirem para crescer juntas. E defendo municípios mais fortes, porque é perto de casa que as pessoas encontram solução para os seus problemas.
Richard Ritter: O que te faz querer voltar à Assembleia?
Marlene Fengler: Eu decidi concorrer novamente porque quero dar continuidade a um trabalho que comecei e penso que com minha experiência, posso contribuir mais ainda. Conheço os municípios de Santa Catarina, sei como uma necessidade se transforma em recurso, projeto ou lei, e sei que isso exige ouvir, reunir pessoas e insistir até encontrar um caminho, uma solução.
A experiência de ter sido a primeira mulher à frente do Gabinete da Presidência e da Escola do Legislativo reforçou minha vontade de abrir espaços para outras pessoas, especialmente para as mulheres. Com a Caravana, encontrei mulheres cheias de ideias e capacidade, que nunca se imaginaram na política. Quero seguir incentivando essa presença, e continuar perto das famílias: das mães atípicas, de quem vive no campo, de quem precisa de apoio para cuidar dos seus. E quero seguir ao lado dos municípios, porque é lá que a vida das pessoas realmente acontece e onde recursos e atenção do Estado fazem a diferença mais direta.
Porque no fim das contas, para mim, a política é isso: uma ferramenta para fazer o bem, e ela impacta a vida das pessoas mesmo daquelas que optam por não votar em ninguém. O que eu busco é a chance de continuar cuidando de quem precisa, incluindo quem foi deixado de fora e fortalecendo quem produz. E eu acredito que com minha experiência e minha determinação posso continuar sendo útil a Santa Catarina.
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