Minha Opinião | Marcelo Reis


PROFIMED: QUALIDADE NA FORMAÇÃO MÉDICA É COMPROMISSO COM A VIDA
por Dr. Marcelo Reis
Médico Ortopedista e Traumatologista, Ex-presidente do CRM-SC e conselheiro do Conselho Federal de Medicina

O Brasil vive hoje um dos momentos mais delicados da história da formação médica. Nunca tivemos tantas faculdades de Medicina em funcionamento e, ao mesmo tempo, tamanha preocupação com a qualidade do ensino oferecido aos futuros profissionais que terão a responsabilidade de cuidar da vida das pessoas.
A recente aprovação, no Senado Federal, do Projeto de Lei nº 2.294/2024, de autoria do senador Astronauta Marcos Pontes, que cria o PROFIMED — Programa Federal de Incentivo à Melhoria da Educação Médica — representa um avanço importante nesse debate. O projeto segue agora para análise da Câmara dos Deputados e tem despertado discussões fundamentais sobre responsabilidade, qualificação e segurança na assistência à saúde.
O PROFIMED vem sendo chamado de “OAB da Medicina” por prever uma avaliação nacional dos estudantes concluintes dos cursos médicos antes do exercício profissional. E é importante deixar claro: não se trata de punição aos estudantes ou de restrição ao acesso à profissão. Trata-se de garantir à população brasileira que o médico formado possui condições técnicas mínimas para exercer a Medicina com segurança, ética e qualidade.
A preocupação não é exagerada. Dados divulgados pelo próprio Ministério da Educação mostram que cerca de 30% dos alunos de Medicina do Brasil tiveram desempenho abaixo do esperado no Enamed 2025. Esse número revela uma realidade que precisa ser enfrentada com seriedade.
Nos últimos anos, houve uma expansão acelerada e, em muitos casos, desordenada dos cursos de Medicina no país. Infelizmente, nem todas as instituições possuem estrutura adequada, hospitais de ensino, campos de prática suficientes ou corpo docente qualificado para assegurar uma formação compatível com a complexidade da profissão médica.
A Medicina não admite improvisos. O erro médico não afeta apenas indicadores ou estatísticas: ele impacta vidas, famílias e histórias. Por isso, discutir mecanismos de avaliação e qualificação da formação médica é, acima de tudo, uma medida de proteção à sociedade.
Em diversos países do mundo, exames nacionais de habilitação já fazem parte da rotina da formação profissional na área da saúde. O Brasil não pode fugir dessa discussão. A valorização da Medicina passa necessariamente pela defesa da qualidade do ensino médico.
O PROFIMED também pode representar um estímulo importante para que as próprias instituições de ensino invistam mais em estrutura, capacitação docente, pesquisa e formação prática. Quem ganha com isso é toda a sociedade brasileira.
Defender qualidade na formação médica não é corporativismo. É responsabilidade. É compromisso com a vida. E esse compromisso precisa estar acima de qualquer interesse.


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